Ingrediente para um relacionamento feliz : A CUMPLICIDADE….

 

São vários os elementos que fazem um relacionamento dar certo. Porém, existem alguns que são essenciais para que uma relação a dois seja duradoura. Entre eles está a cumplicidade. Sem ela, dificilmente o relacionamento prossegue para níveis mais elevados.
De acordo com o dicionário, o cúmplice é aquele “que colabora com outrem na realização de alguma coisa; sócio, parceiro”. Trazendo isso para a vida amorosa, fica claro que o termo cumplicidade quer dizer participação, ou seja, não há erro único de uma pessoa. Se você participou, também é culpado, e se ficou ausente, também.

 

Depoimentos:

“A cumplicidade e o respeito são bases para um relacionamento. Quando o casal tem cumplicidade, a relação se fortalece. É necessário que um participe da vida do outro, que as decisões sejam tomadas a dois e que haja respeito e compreensão às opiniões contrárias. Além disso, para que haja harmonia, é importante ter em mente que, em algum momento, um terá que ceder.”Maria de Nunes Rodrigues, 24 anos, jornalista.

“Quando conheci a Luciana, minha atual esposa, sentia que ela agia de forma muito individual: tomava decisões sem me consultar, sempre marcava reunião com os amigos nos fins de semana sem saber qual era minha opinião. Eu, como sempre prezei a cumplicidade num relacionamento amoroso, sensivelmente, fui mostrando pra ela a importância da cumplicidade numa relação e começamos a nos entender. Hoje, além do amor e do respeito, somos cúmplices. Participamos ativamente da vida um do outro”, Alan ,45, anos, Professor de Ensino Médio .

cumplicidade do casalSegredos íntimos, olhares furtivos, troca de carinhos, respeito mútuo, planejamento a dois, divisão de tarefas e co-responsabilidade na educação dos filhos, são algumas características da relação afetiva em que a cumplicidade é a energia que alimenta e aproxima dois seres que se amam.

A estabilidade de um relacionamento afetivo exige que a chama do amor não se apague. No entanto, a chama se manterá acesa se alimentarmos a energia do amor através de atitudes adequadas ao processo de amadurecimento dos indivíduos envolvidos numa proposta de crescimento.

Sem a parceria na relação, a tendência é a de que os egos falem mais alto nos momentos em que a razão deveria ocupar a vaga da emoção ou que o sentimento deveria estar no lugar do individualismo.

Unir-se ao outro somente por atração sexual é supervalorizar a libido (instinto) e desvalorizar o sentimento. Diminuindo-se o indivíduo diminui também o outro, vendo-o como objeto de seus desejos e não como um ser a procura de sua completude.

Sem a compreensão de sua transcendência e das relações interdimensionais que mantêm com a vida e com a companhia escolhida para dividir expectativas e esperanças, o indivíduo muito focado em si próprio, direciona o relacionamento na mão única de seus interesses.

No âmbito da inconsciência, esses “interesses” tornam-se projeções e transferências que acabam sublimando carências, vazios escondidos no baú do tempo, que revelam-se a cada dia de convivência, surprendendo um depois do outro.

Convivência comprometida pela falta de clareza do “aqui-agora” da relação e contaminada de energias deletérias que afetam o sentido de uma vida a dois, que é a constante troca de energias favoráveis ao crescimento individual e mútuo.

Na falta da cumplicidade, o indivíduo isola-se em si mesmo. E perdido o objetivo da união, subterfúgios interferem na relação como mecanismos de alienação que descobrem maneiras e formas de ludibriar consciências e manter as aparências.

Porém, nem toda rota de fuga leva a lugares seguros. Camuflada a ilusão, com o passar do tempo surge o caminho da desilusão, que mal iluminado, desorienta o caminhante para atalhos ainda mais inseguros de sua existência.

Cumplicidade afetiva exige desprendimento, confiança, percepção de si mesmo e do outro, sensibilidade, afetividade e, acima de tudo, amor, que envolve todos os pré-requisitos de uma relação saudável e focada no crescimento.

A parceria, o querer-se sem dependência afetiva ou conflito de egos, constrói uma relação estável, fundamentada em valores interdimensionais indispensáveis para a edificação de uma obra que poderá balançar com os “abalos” das crises de relação, mas que jamais desmoronará pelo fato de ter sido estruturada em bases sólidas e firmes.

Nascemos, crescemos, nos relacionamos afetivamente, mas não questionamos as razões do processo que nos leva a “amar” o outro. Do desejo do amor cúmplice, existe uma caminho a ser trilhado que exige transparência, autoconhecimento, aceitação, desejo e, principalmente amadurecimento.

A maturidade, no entanto, é uma conquista que chega após árdua luta interna, onde as verdades revelam-se no calor das batalhas íntimas, até que a paz permanente permite o gozar da felicidade possível a cada um.

Portanto, não esperemos sentados pela maturidade para nos tornarmos cúmplices no amor. Nos empenhemos no processo de amadurecimento que cumpre etapas em uma relação de propostas claras, objetivas e transparentes, e que visem a fusão de identidades-personalidades, sem, no entanto, despersonalizar o indivíduo ou fazê-lo perder o senso de identidade própria e de liberdade de escolha, mas os excessos do ego, que ao mutilarem um relacionamento, acabam também por desestabilizar mentes e sufocar corações envolvidos em uma proposta de amor.

flavio bastos

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